Destinação Correta

 Responsáveis por acondicionar a maior parte da produção da indústria global de águas envasadas, as garrafas feitas de resina PET subiram mais alguns degraus no ranking de reciclagem de embalagens no Brasil. No ano passado, 294 mil toneladas de embalagens de PET pós-consumo foram recicladas no país, ou 57,1% de todas as embalagens descartadas pelos consumidores brasileiros. A título de comparação, em 2010 o índice de reciclagem de embalagens longa vida pós-consumo atingiu 24,5% do total de caixinhas produzidas no Brasil.

No caso das embalagens de PET, o volume total reciclado em 2011 avançou 4,25% em relação a 2010, quando 55% das embalagens feitas do material foram reaproveitadas. O crescimento registrado na produção brasileira de novas embalagens de PET foi de 2% no mesmo período. Movimentando R$ 1,2 bilhão, o negócio de reciclagem responde por mais de um terço de todo o faturamento da indústria do PET no Brasil.

“Apesar das dificuldades em relação à coleta seletiva, o trabalho da indústria de gerar demanda para o PET reciclado contribui fortemente para o desenvolvimento da atividade”, afirma o presidente da Abipet, Auri Marçon.

O mercado têxtil continua sendo o principal destino de todo PET reciclado no Brasil. O setor responde pelo uso de aproximadamente 40% de todo o material. O segundo lugar, com 18% cada um, é dividido entre os setores de embalagens e o de aplicações químicas. “A indústria têxtil continua sendo a grande aposta. Mas chama atenção o fantástico crescimento da utilização do PET reciclado na fabricação de outras embalagens. Chamada de bottle-to-bottle, essa aplicação teve vários projetos lançados nos últimos dois anos”, destaca Marçon.

Na indústria têxtil, o uso de PET reciclado começou no segmento corporativo, principalmente em uniformes de empresas. Mas agora alcança grandes grifes, que se renderam às propriedades da fibra. Duas garrafas de dois litros de PET reciclado são suficientes para produzir uma camiseta. Quatro dão para uma calça comprida. Atenta ao nicho de mercado dos consumidores ecologicamente corretos e também às propriedades do fio de poliéster produzido a partir dessas embalagens, a Hering tem um grupo de produtos de malhas composto por PET reciclado. Marcas como Oskler, Brookfield e a Mizuno também se renderam a esse tipo de fibra.

Geralmente associado ao algodão, o fio de poliéster confere estabilidade dimensional ao tecido, impedindo encolha ou entorte, além de solidez na cor, resistência e durabilidade com mais qualidade durante muito tempo. O uso desse tipo de poliéster também diminui a gramatura do tecido, porque o fio fica mais fino, tornando-o mais desencorpado. O resultado é um tecido mais suave, mais leve.

Ideal para pijamas e na moda íntima, o PET reciclado está chegando ao universo masculino. A D’Uomo, uma das maiores fabricantes de cuecas brasileiras, está lançando um modelo feito com poliéster originário de garrafas PET recicladas.
As aplicações do PET reciclado também crescem na indústria de calçados. A maioria dos tênis e sapatos traz em sua estrutura uma espécie de tela, um não-tecido, no qual se espalma o produto. Integrando a maioria dos lançamentos sustentáveis do setor, o PET reciclado foi o destaque de um tênis da Via Uno formado em 35% pelo material.

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