Votação do reajuste do Mínimo Regional é adiada

Empresários já aceitam 6,9%; trabalhadores recuam a 9,6%
Samir Oliveira
Paulo Tigre entende que o piso torna o Estado menos competitivo Foto: Ana Paula Aprato/JC
Foi adiada mais uma vez a votação do projeto de lei enviado pelo Executivo que estabelece reajuste de 6,9% ao salário-mínimo regional. Desde o dia 18 de maio, quando a matéria chegou à Assembleia Legislativa, deputados negociam com empresários e trabalhadores um índice que atenda às reivindicações das duas partes.
Na reunião de ontem, as centrais sindicais sinalizaram que aceitam um aumento de 9,6% – menor que os 14% defendido anteriormente. O critério imposto é de que o percentual deve ficar acima do concedido ao salário-mínimo nacional (9,2%).
Do outro lado, as federações empresariais já reconhecem que não conseguirão manter os 3,54% propostos e que, nesse contexto, os 6,9% enviados pelo governo são a melhor alternativa.
“Os trabalhadores tiveram que recuar, mas os empresários ainda defendem a extinção do piso”, critica o dirigente da Central Única dos Trabalhadores no Estado (CUT-RS), Celso Woyciechowski.
Para o presidente da Fiergs, Paulo Tigre, que participou ontem do encontro com as entidades sindicais, a existência do piso gaúcho tira competitividade do setor privado no Estado. “O próprio índice mandado pelo governo é alto dentro da nossa realidade, já estamos em um limite”, avalia.
O presidente do Parlamento, deputado Giovani Cherini (PDT), considera que das duas posições existentes, 9,6% e 6,9%, pode emergir um valor alternativo. “Vejo a possibilidade de uma terceira posição. Alguns deputados falam em 7,7%”, palpita. Ele acredita que na próxima terça-feira os parlamentares darão acordo para a votação.
O líder do governo na Assembleia, Adilson Troca (PSDB), alerta que é necessário prever os impactos que um reajuste muito alto causaria à economia. “Quem emprega diz que se o salário for muito alto, haverá desemprego. Devemos ter esse cuidado”, observa, acrescentando que o pequeno comerciante muitas vezes não tem condições de pagar aumentos muito elevados.
O líder do PT, deputado Elvino Bohn Gass, é categórico ao afirmar que a bancada petista só dará acordo para votação se os deputados concordarem em aumentar os 6,9% propostos pelo governo. “Queremos elevar esse índice. Com um salário melhor, as pessoas compram mais, e o comércio acaba ganhando”, interpreta.
O deputado Raul Carrion (PCdoB) acredita que o assunto será resolvido no plenário, na próxima terça-feira. “Não acredito que alguém permitirá que o projeto seja postergado indefinidamente. Isso só prejudica os trabalhadores”, argumenta.
 
Carrion aposta que os parlamentares darão acordo na reunião de líderes e que o índice final será definido durante a votação. “Não havendo entendimento entre trabalho e capital, buscaremos a alternativa mais próxima possível.”

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